Desde que partistes sinto um vazio cão dentro de mim, algo inexplicável entre as tripas, espaço que faltava e hoje há em demasia. Acho que nem entre as tripas, não dá para traduzir mesmo esta sobra de sei lá o quê em sei lá onde. Bom, voltando ao assunto, durante o tempo transcorrido entre a última quarta-feira deste escaldante inverno tropical até a manhã de hoje, até agora, dez da manhã, não tive notícias tuas, não sei por que banda te embrenhastes e nem com quais companhias andas.
Só queria que tu soubesses por quaisquer bocas e a plenos ouvidos que estimo muito tua presença, que sem tu há um quê de falta de sentido em meus pés caminhantes. Aquelas margaridas que gostavas tanto estão a se murchar dia após dia: falta d'água e excesso de relapso por parte minha. É bem verdade que eu nem as admiro tanto quanto tu e na tua ausência elas não teriam a quem sorrir também. Do mesmo mal, a falta d’água, sofre Juan Pablo, nosso Golden Retriever. Devo confessar que ele sofre de falta de comida e de carinho também. Desde que fostes ao sabor do vento ele carrega consigo aqueles sapatos que tu adoras pra qualquer lugar que ponha suas peludas patas. Já o canário, se soubesse falar, não poderia nada reivindicar, esse não sofre com a falta d'água. Não sofre porque morreu ontem à noite: desidratação. O inverno é quente, minha pequena, e sabe como são os canários, né? Sensíveis demais esses bichinhos cantores.
Já combinei com o coveiro de ir ao cemitério amanhã, quero escolher um bom local para uma boa cova, com espaço suficiente para construir um belo mausoléu. Sei que tu não compactuas com tais luxos, ainda mais quando se trata de um corpo que, a partir do momento em que vestiu o paletó de madeira, só serve de banquete aos vermes. Mas a vida é dura sem tu, menina. Tomando uma caixa de calmantes acabo com minha dor ou, ao menos, durmo por dois longos dias seguidos, o que não seria nada mau também.
Sei que não és indolente, pelo contrário, julgo-te exageradamente sensível, és a sensibilidade que não habita minhas carnes. Por isso, peço nestas mal escritas linhas que voltes, mesmo que tu nunca leias o que com esses garranchos cuspo, pois, se sumistes, fica óbvio que só lerás quando tornares ao nosso lar e voltares novamente a mexer em minhas gavetas. Esqueci-me de dizer que sinto falta até de quando mexias em minhas gavetas, principalmente a de cuecas, onde finjo esconder de ti as baboseiras que eu escrevo e a garrafa de conhaque barato, mas isso não vem ao caso agora. O caso é que hoje já é segunda-feira, precisamente dez e dezoito da manhã e tu ainda não voltastes. Espero-te desde a já supracitada última quarta-feira, quando saístes para comprar cigarros e não mais a vi. A duras penas tento enganar-me num rec-rec repetitivo orador de que consigo viver sem ti, minha alma.
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Textinho velho e de Crtl+C/Crtl+V, mas tá valendo.
Beijo pessoas :*
Ah, algum dia eu mudo a cara do blog, falei que era essa semana mas, estou sem tempo.